segunda-feira, 26 de julho de 2010

Uma estranha no ninho!

Acho incrível como a arte pode vir a calhar com o momento da vida do sujeito.
Acabei de assistir o filme "Um estranho no ninho", que foi uma antiga indicação da minha querida amiga cineasta Pauline.

Bem, então vamos lá... "Um estranho no ninho" evoca antigas duas questões (vocês encontrarão mais, mas acho interessante colocar estas aí) interrogadas pelas pessoas que pensam (lembrem o título do blog... isso dói, não é recomendável!), 1. a liberdade e 2. a transgressão. Estes dois pontos são parceiros, assim penso, e parece-me que o diretor do filme também. A sociedade ocidental cerceia a  liberdade quando um indivíduo trangride as regras.
O personagem McMurphy é um presidiário e as autoridades o entendem por louco, este ficando então, sendo transferido para uma instituição apropriada. Ta, legal... Foulcault acharia bem interessante, ne? Enfim, ele não é doido. Mas se torna peça importante para a dentro do tal manicômio. Lembro que o filme foi feito na década de 1970, os lugares onde os loucos ficavam ainda chamava-se manicômio, hospício e muitos outros substântivos pouco politicamente corretos, e nesta época ainda adotava-se inescrupulosas práticas de choques, banhos de água fria e outras situaçães nada simpáticas.
Bem, esse cara é um transgressor nato. Sério... ele é fera. E acaba mostrando aos outros internos que existem outras opções, e em uma noite acaba transformando o tal manicômio em um bar, levando duas mulheres.
Não preciso comentar o que acaba acontecendo com ele, preciso? é... isso mesmo! Ele acaba recebendo os tais choques que não consegue mais responder à estímulos. ELE FOI CONTROLADO...

Não vou contar como acaba o filme pois seria uma grande filhadaputagem!

E me digam, o que nosso estado quer se não este controle absoluto do indivíduo? Com suas regras, leis e moralidades?

Confesso que sinto-me assim em alguns momentos. Parece-me que sempre há alguém para nos controlarmos. Não podemos nos exceder, exagerar, gritar. Tente algo e mãos te acorrentarão com algemas, te jogarão em uma jaula para serdes esquecido e entendido como um animal.

Em alguns momentos não conseguimos entender o real tamanho que temos, isto é, não temos noção do que é possível. Não precisamos alcançar a montanha, se nós podemos sê-la!

Vivemos no mundo do "PROIBIDO"... mas quem coloca a placa é mais ingênuo que eu, e liberdade eu invento!!

terça-feira, 13 de julho de 2010

A novela mexicana continua... e eu descobri que sou a Maria do Bairro!

Sim! A Maria do Bairro... não a Talia, a personagem mesmo! Se bem, que agora tenho alguma semelhança com a atriz: as costelas! Não, não as tirei, mas elas parecem que não existem mais...

Ta... chega de divagar! Quero falar de outro assunto: Morte aos médicos? sim... mas só alguns, ainda preciso de alguns deles!

É... é isso aí! Fui vítima de erro médico! O que faz uma carcaça em pessoa formar-se em medicina, fazer um juramento de bosta e colocar um colete com medida errada em uma pessoa com 5 vértebras quebradas? Mas não acabou: o que faz essa mesma pessoa dizer que "nós temos que evitar uma cirurgia, pois é complicada... digamos que é uma cirurgia grande! Teríamos que mexer no coração e no pulmão!", quando era o que justamente precisava ser feito? Ah... mas não precisa mexer no coração, não... então, tudo bem. Digamos que eu fiquei mais ou menos 3 meses tendo pesadelos e pensando nessa merda pra ser muito mais simples! O osso calcificou errado, eu parei minha vida em um momento em que tudo estava dando certo... e se fosse com a filha dele? e se fosse com ele?

"Ahh... ele queria glamour!" disse a minha irmã. Pois sim, ele vai o ter, não aqui, é claro. E sim no INFERNO! Lá com certeza ele vai ser bem famoso! pode apostar... eu já mandei ele pra lá milhares de vezes!

As pessoas me dizem: "Mas tu é forte... vai suportar!" eu nunca quis ser forte, nunca quis ser vítima... só não queria que acontecesse!

Enfim, até o último capítulo, meu nome será Maria do Bairro, vítima dos covardes, dos glamourosos, dos que sentem pena, dos próprios vitimizados... vítima... e forte...

domingo, 20 de junho de 2010

Aceitar-se é difícil?

Tenho uma amiga de infância, crescemos juntas e até a adolescencia passamos parte do tempo de nossos dias juntas. Ela era minha vizinha, e quando tinha cerca de 17 anos mudou-se para outro bairro. Desta forma, víamos menos vezes, mas não perdemos o contato, já que seu local trabalho fica próximo a locais muito acessíveis. Ela, quando pequena, não era o padrão de estética, isto é, ela era gordinha. Era tímida, falava pouco, retraída e deixava que nós (crianças malvadas) enganássemos ela. Simplesmente saia chorando, enquanto nós, autoritárias que erámos, apenas continuávamos a brincadeira. Não sei se foi isso que afetou a sua auto-estima. A partir da sua adolescência ela mudou drasticamente. Emagreceu, mudou a forma de vestir, de andar, de falar, trocou de amizades. Tudo isso muito rápido.
Bem, estes dias, percebi que alguém me mirava no ônibus. Olhei. Vi um rosto familiar que sorria. Sorri também, mas ainda não a reconheci. Cabelos longos e negros, sombrancelha falsa, seios descomunais saltando e apertados para aquela blusa tão justa, uma barriga tão magrinha,  e por baixo de muita maquiagem. Um banco vago ao meu lado fez com que ela sentasse perto de mim. E eu atrapalhada, não sabia como reagir: "Quem é ela? Será que ela me confunde com alguém?". Estava longe de resolver estas questões.

- Oiiiiiiiii, Sil! Quanto tempo né, amiga? Como tá? Que tá fazendo? - disse ela.

Reconheci a voz. Era ela. "Como pode ter mudado tanto?" pensei eu. Espero ter disfarçado meu espanto, em todo o caso, eu estava espantada!

- Tu não me reconhece? - disse.
- Claro que sim! - respondi - mas tu mudou muito!

Então ela começou a me contar, desesperadamente, todas as intervenções que tinha feito em seu corpo: tintura e aumento do cabelo, lipo, silicone, cirurgia no nariz, a tal sombrancelha, o queixo... enfim, milhares de mudanças permearam a sua vida. Eram tantas coisas que eu desci do ônibus sem dizer o que estava fazendo, e acho sinceramente que não lhe interessaria.
Ela estava muito mudada, e era visível sua insatisfação perante o próprio corpo.

A partir deste reencontro, refleti muito acerca da própria aceitação, e definitivamente não entendo como alguém pode ter gosto por ser alguém que não o é!
Nossa sociedade é repressora quanto a padrões estéticos e comportamentais, e quem cai nesta rede é peixe para cirurgiões-empresários enriquecerem.

De qualquer forma é importante aceitar-se, e desligar-se do deslumbramento que traz a mídia, para, quem sabe assim, encontrar-se e não ter vergonha do que éramos no passado, sendo este tão essencial para o que somos hoje!

Era isso...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

... e na novela mexicana, sempre tem uma Maria do Bairro!

Algo me tira a paciência: ações que visam gratidão. Agir esperando algo em troca, não é ser legal, ou bonzinho. É ser egoísta! PORRA, não tem vontade de ser legal com determinada pessoa, ou ajudar, não é ser alguém rancoroso... é ser sincero! Pra que ficar apurrinhando meu precioso saco (que eu nem tenho) dizendo que fez isto ou aquilo por mim... Bom... mas se fez deve ter tido uma boa motivação.
A minha impaciência está justamente, na falsa vitimação numa situação dessas!
Não faz sentido agir sem motivação... esperando o pote de ouro no fim do arco-íris! e ainda por cima se vitimizando na situação!

HAJA SACO!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Trágica como em uma novela mexicana!

 1º de maio de 2010: Acidente de carro na Br-116 em Caxias do Sul. 5 jovens integrantes do carro, 2 deles foram internados às pressas no Hospital da cidade.

Depois da tragédia, comecei a perceber coisas que antes não percebia. Entendi a covardia de alguns, senti a amizade de outros e simplesmente odiei o sentimento de pena de vários! Ninguém torna-se um inválido, e eu odiei quem me tratou desta forma, com pena...

Ahh... sem contar naqueles que se colocam a disposição para parecer uma boa pessoa! O que eu sinto é dó! Mal sabem o que sinto... não preciso de tapinhas nas costas...

Sei como nunca, quem são meus verdadeiros amigos.

Quanto a minha família, impressionei-me! Nunca vou conhecer pessoas mais fortes e amigas! Minha mãe, (um poço de sensibilidade!), não derramou uma lágrima... ouviu meus desesperos e perante isso, ficou ao meu lado, somente a ouvir. Minha irmã, que quando entrou no quarto se derreteu em prantos, veio correndo, deixou tudo o que tinha em sua cidade, não exitou, e depois do choro, segurou as pontas, e parecia minha médica particular (e em alguns momentos devo confessar, minha professora sobre assuntos... ãhn... de que mesmo??.. ahh é... alzheimer!) E finalmente, o Rei Leão, meu Pai. O cara mais ocupado que eu já conheci, passou parte de seu expediente no meu quarto... cuidando cada movimento... claro... cuidando... afinal de contas faço parte do seu patrimônio, não é companheiro?

 Estas e outras pessoas especiais fizeram com que a minha raiva, frente ao que aconteceu, pudesse diminuir e ser substituida por outros sentimentos!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade sexual reprimida!

É indignante ver reportagens como a que vi esta manhã no jornal local "Pioneiro" de Caxias do Sul, sobre o uso de pulseiras que simbolizam atividades de aproximação afetiva por adolescentes. O uso das tais pulseiras foi proibida na Assembléia Legislativa. No mínimo é uma iniciativa ridícula.
Para início de conversa, parece que nossos representantes não conseguem nem pensar na motivação que as pessoas têm ao fazerem determinadas coisas. Quais as motivações que essas garotas têm para usar as determinadas pulseiras? É tão complicado entender que só pela maneira como estamos vestidos nos faz comunicar algo a nossos semelhantes, sejam eles do mesmo sexo ou oposto? Nós somos reprimidos sexualmente, e portanto precisamos de símbolos que nos favoreçam a comunicação sexual, já que não podemos dizer: "Oi, vamos trepar?".
Parece-me que as garotas, que adotam a prática do uso das pulseiras, estão simplesmente a procura de sua identidade sexual, e se encontram dentro de uma sociedade que as reprime em relação a comunicação do ato. Isso tudo é puro moralismo. Ou, não... é pior... Moralismo impensado! Não entendem que isso se refere a uma prática cultural de iniciação sexual?
Ninguém vai deixar de "dar" por que não existem as tais pulseiras. Nosso corpo comunica! As pessoas tem livre-arbítrio para fazerem de seu corpo e experimentarem o que tiverem vontade.
Nossa vontade foi reprimida há séculos por uma sociedade intransigente e articuladora de padrões e papéis sociais. E quando temos oportunidade de comunicar o que temos vontade de fazer somos proibidos? Que tipo de sociedade é essa?

E outra questão que me dá dores estomacais só de pensar: e se fossem meninos que utilizassem os tais símbolos sexuais? Teríamos a mesma proibição?

Eles não tem o mínimo embasamento teórico para tal proibição. Pois se tivessem, proibiriam todos de andar nas ruas, pois se não sabem nossa sociedade inteira tem símbolos sexuais por todas as partes. É só ler Foucault.

Odeio essa moral hipócrita! Porque esconder algo que se tem vontade de fazer? Ainda mais quando se refere ao sexo... que é simplesmente o fundador cultural da nossa sociedade!

aaaaaaaa!!! que ódiooooo!!!

sábado, 27 de março de 2010

Onde foi parar a capacidade abstrativa do ser humano?

Cada vez me espanto mais!
Onde foi parar a capacidade abstrativa?
e a criatividade?
Os teóricos em psicologia e desenvolvimento do cérebro dizem que todos nós somos dotados de capacidade de abstração e criatividade. Porém, a questão é: será que a utilizamos?
Fico chocada ao ouvir aquela famosa expressão: "Nada se cria, tudo se copia". Como assim? E quando as manifestações artísticas? E quanto as simples abstrações diárias que pessoas loucas como eu tem? E quanto aos planos de aula que eu e meus colegas desenvolvemos? E quanto ao que escrevemos nos blogs, livros..? Com certeza não copiamos de ninguém... tá... algumas pessoas sim... mas estas nós podemos excluir de nosso convívio social, já que é voltada para elas a minha crítica!
Pois é... isto me preocupa. Nós fomos engessados por 20 anos dentro de uma escola, desta forma, qualquer um perde sua capacidade abstrativa perante o modelo educacinal encontrado. Vamos romper com isso, tirar das escolas as classes e cadeiras, fazer círculos, movimentar nossos corpos, escrever o que pensamos nas paredes, fazer motins, enfrentar a autoridade... enfim... tudo o que meus pais fizeram e eu não consegui... e estas crianças das quais me aproximo nem refletem.

Sim eu sou louca! eu sei! Mas fiz minha escolha... rumei meu caminho... agora é só andar!!!